terça-feira, 10 de maio de 2011

ZEITGUEIST DA INTERNET

Avanço Tecnológico e Cultural do Mundo - Espírito da Época
Trabalho realizado no âmbito da Unidade Curricular Sociedade da Informação



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domingo, 1 de maio de 2011

Manuel Castells - Entrevista


Manuel Castells (Hellín, 1942)

Sociólogo espanhol, leccionou na Universidade de Paris, primeiro no campus de Nanterre entre 1967 e 1979 e em 1970, na "École des Hautes Études en Sciences Sociales". Foi nomeado em 1979 professor de Sociologia e Planejamento Regional na Universidade de Berkeley, Califórnia. Em 2001, tornou-se pesquisador da Universidade Aberta da Catalunha em Barcelona. Em 2003, juntou-se à Universidade da Califórnia do Sul, como professor de Comunicação. Segundo o Social Sciences Citation Index, Castells, foi o quarto cientista social mais citado no mundo no período 2000-2006 e o mais citado académico da área de comunicação, no mesmo período.



Galáxia da Internet

Reflexões sobre a Internet, os Negócios e a Sociedade

Manuel Castells, 2001

Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro em 2003.

Tradução autorizada de Maria Luísa X. de A Borges da primeira edição Inglesa publicada em 2001 por Oxforf University Press, de Oxford, Inglaterra.


Comentário

Capitulo 4 – Comunidades Virtuais ou sociedade de Rede? pp. 98-111

Uma galáxia é um grande aglomerado de bilhões de estrelas e outros objetos astronômicos (nebulosas de vários tipos, aglomerados estelares, etc.), unidos por forças gravitacionais e girando em torno de um centro de massa comum. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Galáxia)

Através de pesquisas efectuadas e apresentação de diversos dados, Manuel Castells elabora neste livro uma análise ao desenvolvimento da Internet e da sociedade actual, evidenciando a forma como, com os recursos proporcionados pela Internet, nos tornámos inevitavelmente num aglomerado de bilhões de indivíduos relacionados e integrados numa rede global

No capítulo 4, deste livro, “Comunidades Virtuais ou sociedade de Rede?”, Manuel Castlls aborda a influência da Internet na sociedade actual e nas suas interacções, clarificando alguns aspectos e desmistificando alguns preconceitos procurando contribuir para a compreensão das novas formas de sociabilização proporcionada pela “Rede”.

Com o suporte de vários estudos, Manuel Castells expõe como o uso da Internet è em grande parte direccionado para actividades ligadas “ao trabalho, à família e à vida quotidiana” (Anderson e Tracey, 2001; Howard, Rainie e Jones, 2001), contribuído para o fortalecimento de relações sociais, referindo também outros autores cujos estudos concluem que o uso da Internet potencia uma tendência depressiva individual e pode ser um factor de dessocialização.

Manuel Castells refere uma sequência de estudos de Barry Wellman e colegas que revelam um “efeito cumulativo positivo entre intensidade do uso da Internet e densidade das relações sociais” e, afirma neste capítulo, que: “se alguma coisa pode ser dita é que a Internet parece ter um efeito positivo sobre a interacção social e tende a aumentar a exposição a outras fontes de informação.” (Castells, 2001, p.102). Através da análise de outros estudos e experimentações com utilizadores e não-utilizadores, constatou-se também que os utilizadores de Internet mantinham relações mais estreitas entre si e se encontravam mais informados acerca da actualidade dos que os não-utilizadores.


Por outro lado, são referidos neste capítulo outros estudos que fortalecem a ideia do efeito isolador e da contribuição negativa da Internet na sociabilidade. Castells refere no entanto que estes estudos muitas vezes são interpretados sem ter em conta ou mesmo em “acentuado contraste com a maior parte dos indícios disponíveis, focando entre outros o exemplo do “extremamente difundido” estudo de Pittsburgh, realizado por Kraut et al (1998) com uma amostra de 169 famílias durante os dois primeiros anos de experiência de comunicação mediada por computador, em que se verificou o declínio de comunicação dos participantes com os membros da sua família associados ao maior uso da Internet o que sendo certo, tem de ter em conta o facto de que as famílias em estudo estarem a usar a Internet pela primeira vez o que implica que alguns efeitos observados poderem ter origem na inexperiência do uso, ou mesmo à novidade e não ao seu uso já assumido. Castells considera assim que “de um modo geral, o corpo de dados não sustenta a tese de que o uso da Internet leva a menor interacção social. Há indícios porém, de que, sob certas circunstâncias, o uso da Internet pode servir como um substituto para outras actividades sociais.” (Castells, 2001, p.104).

A utilização da Internet potência uma alteração do paradigma das relações sociais em que a comunidade local e a relação de proximidade, fundamental antes do desenvolvimento das comunicações e mesmo do telefone, e dá lugar a relações com base em afinidades, onde a relação espacial è menos importante.

Castells , baseado em estudos de Barry Wellman e colegas e pelo Internet and American Life Project (2000) do Pew Institute, refere que em virtude da forma como as pessoas se ligam e desligam da rede e mudam de interesses, raramente no entanto se constroem relações pessoais duradouras, è no entanto um meio eficaz para a manutenção de laços sociais débeis que de outro modo, se perderiam, pela necessidade ou implicação de eventuais constrangimento de deslocação ou utilização de outros meios físicos, menos práticos de contacto. Os diversos estudos demonstram também que a Internet pode contribuir também para manter os laços fortes à distância com a utilização do correio electrónico que potencia nomeadamente as relações familiares, não só minimizando distâncias como também, mesmo sem grande envolvimento, proporcionar condições de estar minimamente presente, potenciando o desenvolvimento das competências sociais e padrões de sociabilidade com base no individualismo. Castelles, cita Wellman (2001) que afirma que “redes sociais complexas sempre existiram, mas desenvolvimentos tecnológicos recentes na comunicação permitiram seu advento como uma forma dominante de organização social” o que indicia que as comunidades on line, para além de inovar a forma de socialização funciona como meio de desenvolvimento de um novo padrão social: o “individualismo em rede”.


Minha Aldeia é todo o mundo

Todo o Mundo me pertence

Aqui me encontro e confundo

Com gente de todo o mundo

Que a todo o mundo pertence”

(António Gedeão)


Bibliografia e URL de imagens

Galáxia da Internet - Reflexões sobre a Internet, os Negócios e a Sociedade (Capítulo 4)

Manuel Castells, 2001

Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro em 2003.

Wikipedia

http://www.pt.wikipedia.org

Manuel Castells

http://cdn2.wn.com/vp/i/45/cde3a75ba6ea5c.jpg

Galaxia da Internet

http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQgwAVb6cdpV29PxjpJMgnTOnuPXponRFb3D7-N1oDHn4V925E_rQ

Teia de Aranha /Rede

http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTTymqkq4NDLEuxT0oJzd0bigJnlKKq2xCgC5grINJ1hTR1bORm

Espiral

http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQsUjtKSe4l8PffNmwCGD0r9uWJvOdgUOCRQWjiMoGwK1Ol46oZNZXAwCFywA


terça-feira, 26 de abril de 2011

Homo Zappiens – Educando na era Digital


O professor Wim Veen, da Universidade de Tecnologia de Delft (área de Educação e Tecnologia), Holanda e Ben Vrakking, aluno e pesquisador de pós-graduação em Engenharia de Sistemas, análises de políticas e monitorização na mesma universidade, são autores deste livro que de forma explícita coloca-nos frente à tecnologia própria da cultura do nosso tempo, especialmente na sua relação com a educação. Para o primeiro, a tecnologia como propulsora de modificações importantes no comportamento, aprendizagem e forma de produção de conhecimento das gerações que se formam dentro desta cultura. O segundo, ao estudar processos de mudança, estabelece a aprendizagem como meio básico para lidar com ela. As necessidades estabelecidas por cada um dos autores bastam para tornar a leitura deste livro interessante, na medida em que educação, tecnologia e processos de mudança são vistos como partes de um mesmo ecossistema, o que dá agilidade e dinamismo a estas questões e propõe reestruturações importantes para a educação.
O segundo capítulo, Conhecendo o Homo Zappiens, centra-se na geração emergente ligada em rede, que processa e gere a velocidade e a quantidade de informação com recurso aos mais diversos e facilitadores meios, num processo de escolhas em que se valoriza a velocidade das trocas de informação e a facilidade com que ela chega até ao indivíduo, veloz e com poucas barreiras. A distância física não se afigura um problema ou entrave à comunicação. Assim, através das estruturas de conceitos, da inter-relação dos conceitos, determina os núcleos essenciais de informação pertencentes a um fluxo de informação e, com base nesses núcleos, constrói-se conhecimento significativo. A escola faz parte da vida quotidiana dos alunos, mas não é o mais importante para eles. É como se a escola não seja parte integral das suas vidas, seja um mundo completamente diferente do restante e das suas actividades diárias. Paradoxalmente, a educação apresenta a escola como principal actividade formativa do indivíduo. Acresce que, por outro lado, a escola parece apresentar-se ainda como uma estrutura algo resistente à era digital, o que faz com que este público tenha menos formas de contacto e se afaste gradualmente.
O terceiro capítulo, Entendendo o caos, centra a atenção sobre as mudanças adoptadas pela geração digital, expondo pontos importantes para este entendimento, tais como:

  • Habilidades icónicas – incorporação de símbolos e ícones para a busca da informação; 
  •  Executar múltiplas tarefas; 
  •  Zapear – determinação dos núcleos essenciais de informação pertencentes a um fluxo de informação na busca de conhecimento significativo; 
  •  Comportamento não-linear – várias informações diferentes de muitos canais diferentes; 
  •  Habilidades colaborativas – para resolver problemas.

Podemos aproximar-nos do conceito de inteligência de Lévy, que nos mostra que a produção e circulação do conhecimento/informação é um processo social. Mas as relações sociais não são homogéneas, são marcadas pela existência de relações de poder. Os sujeitos sociais não participam em igualdade de condições: há os que possuem o poder de definir socialmente o que deve ser considerado como informação/conhecimento e de que forma este irá circular.
O quarto capítulo, Aprendendo de maneira divertida, apresenta o indivíduo como um ser investigador, que alia a aprendizagem individual e a colectiva, na produção de conhecimento.
Simultaneamente, há a consciência de que gradualmente caminhamos para o individualismo, abandonando a cultura de massas e as estruturas colectivas. 
Deste modo, levantam-se questões importantes, tais como: 
  • Que mudanças houve?; 
  •  De que forma mudou a aprendizagem em função da tecnologia?
Para dar resposta às questões levantadas, o capítulo organiza-se em três tópicos, conhecimento, habilidades e valores. Por fim, é-nos proposto que aceitemos a incerteza como parte do processo de construção do saber.